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Ontem, fui com um grande amigo, num bistro de higienopolis. A casa famosinha tinha um ambiente que se não fosse a deficiência de iluminação; seria o tipo de lugar bem mais confortavel pra filosofar e comer. Fizemos o pedido, o prato chegou, bonito, cheiroso e QUENTE, sim! isso existe! Enfim. começei a reparar nas apresentações dos pratos que os outros comensais estavam destruindo, com algum cuidado persebi uma semelhança, algo que ligava meu prato a todos os outros servidos naquela casa, depois observando os ingredientes, a disposição deles no prato, a musica no salão e as combinações de sabores, bem como os cortes e as proporções, consegui quase que com uma destreza freudiana, traçar um perfil pro chef. E no meu palpite esse perfil seria perfeito. Sai da casa, sem ver a cara do sujeito, mas ainda vou investigar se acertei, tendo usado as informações que peguei implicitamente no étereo do lugar.
Identidade eh uma palavra complicada, e talvez eu não devesse usá-la prescisamente nesse caso, fato é que o cara conseguiu me passar uma imagem dele, que se nao for a verdadeira, mostra q ele está mal sintonizado com a comida que faz…. se for fiel DEMAIS eu vou desconfiar que o cara é tão egocêntrico a ponto de fazer os pratos a sua imagem e semelhança, assim como dizem que Deus fez o homem. (nesse caso nao penso ser egocêntrismo, apenas nao acredito em uma figura humana pra Deus) O blog era de gastronomia não era?!Para a Antropologia, a identidade consiste na soma de sinais, marcas e características – positivas ou negativas – que individualizam o indivíduo ou coisa, sendo determinada pela identificação, que nada mais é que a delimitação da individualidade.
Não vou me aprofundar no assunto, talvez pela falta de competencia com isso. Mas resumindo, um prato é uma forma de veicular uma identidade, que se não for a sua, espera-se que seja uma identidade criada com um proposito.
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Gastronomia tem sido um curso em alta, virou moda nesses ultimos anos. Isso pode ser facilmente constatado visitando qualquer uma das grandes universidades de nome que oferecem o curso aqui em São Paulo.
Talvez pra um jovem de 17 anos, um curso de engenharia, química, ou veterinária, pareça menos atrativo que um curso de formação rápida como o de gastronomia que tem media de duração de dois anos, alem da “rapidez” do curso, ainda se tem a impressão de ser uma carreira fácil, homens bonitos de dólmã imaculada fazendo fama na televisão com aquele glamour aparente. E chefs renomados de dólmã igualmente imaculada sendo bajulados em todas revistas e colunas possíveis q tratam do assunto de gastronomia.
Fato é que a profissão da forma como realmente é no behind the scenes, não é pra qualquer perfil de pessoa. E não estou falando de características físicas ou sociais, é algo mais complexo.
Mais do que ter que ser uma pessoa esperta, que faça cortes com destreza, agüente trabalhar em pé muitas horas seguidas, se acostume a trabalhar sob pressão, seja obsecada pela extrema perfeição sempre, e tenha em mente que a estrela da festa eh a comida e não o cozinheiro, o candidato a chef ainda tem que ter conceito. Não estou falando em ser uma pessoa conceituada, ser conceituado é na cabeça dos outros, ter conceito é na cabeça própria do cozinheiro.
É a comida que tem que brilhar, aparecer, ser famosa, e o chef quando consegue acompanhar isso, tem que ser por mérito próprio. Homens com ego insuflados, encontram-se nas mais diversas áreas profissionais, na gastronomia não é diferente. Já ouviste algum cozinheiro admitir um erro? Admitir um engano? Pois nen ouvirá.
Como dizia um professor: “Eu ainda prefiro ouvir oq tem a dizer, as velhinhas européias com pêlo no queixo q sabem cozinhar como poucos”
Ao invés de copiar, fazer pequenas alterações e tomar pra si o trabalho jah iniciado por outra pessoa, acredito q seja o ideal, que se esforce por algo próprio. È fácil abrir revistas de gastronomia e ver pratos com o mesmo estilo de apresentação, montagens parecidas, nenhuma inovação, os pratos freqüentemente ainda se assemelham com orquídeas ou nos pratos sem altura, uma profusão de mosaicos, linhas feitas com molhos coloridos com único fim decorativo, e coisas do tipo, sem propósito gastronômico. Estão ali no prato simplesmente de enfeite. Pergunte ao chef qual a proposta daquele prato, tenho certeza q poucos saberão. Comida gostosa, minha vó faz, comida com propósito poucas pessoas no mundo conseguem fazer.
Façamos então o “low profile” até o dia que nos dignarmos a ter capacidade de fazer algo próprio. Por hora tenho o conceito em mente, já é bem bom. Agora I must to take it flow.
Agradecimento à quem me faz feliz. Que tornou o Thinkfood possível.
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